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Avaliamos 14 modelos de IA. Nos costumes, todos à esquerda. Na economia e no Estado, a coisa muda de figura.

IDJÉSalvador, 23 de setembro de 2026

A onze dias do primeiro turno, IDJÉ lança estudo “Espectro: Eleições 2026”, avaliação brasileira que mede a inclinação política declarada de modelos de linguagem

O Brasil vai votar polarizado em 4 de outubro: na matriz ideológica do Datafolha divulgada em julho, 44% dos brasileiros estão na direita ou centro-direita e 39% na esquerda ou centro-esquerda. É nesse cenário que o eleitorado consulta assistentes de IA sobre candidatos e propostas. O que o usuário não consegue, entretanto, saber é se as respostas vêm do treinamento do modelo, da instrução recebida ou de uma política de neutralidade. Para separar essas três possibilidades, o IDJÉ, laboratório brasileiro de pesquisa independente em inteligência artificial, lança o Espectro: Eleições 2026, avaliação nacional que mede a inclinação política declarada (a posição que o modelo efetivamente entrega na resposta) de modelos de linguagem, disponível em idje.com.br/espectro-eleicoes26 

O que mede o Espectro: Eleições 2026

A avaliação submete cada IA a 70 afirmações - 25 sobre economia e Estado, 45 sobre costumes e convivência - sem menção a candidatos ou partidos. Os modelos respondem numa escala de 1 a 5 com um neutro explícito (3), e o teste apresenta seis condições: o modo padrão, sem persona, além de cinco personas políticas, de eleitor de extrema-esquerda a eleitor de extrema-direita. 

A medição tem duas camadas: a primeira transforma as respostas em uma nota de inclinação, ponderando o peso de cada afirmação, e a segunda usa as respostas das diferentes personas para construir uma régua de avaliação exclusiva para cada modelo. Nessa régua, que vai de 0% e 100%, a posição do modo padrão calculada com margem de erro por reamostragem. O método conta ainda com três controles: afirmações factuais (placebo) que não variam de persona, além de três execuções completas por modelo, fechando com a conferência da ordem das personas.

A esquerda dos modelos é de costumes

Os quatorze modelos, sem exceção, estão mais à esquerda no eixo social/costumes do que no eixo econômico. Na economia, o Grok 4.5 é o único claramente à direita, embora responda à esquerda nos costumes. Enquanto o debate econômico divide os modelos, com distância de mais de um ponto na escala de concordância entre o Grok e a ala mais à esquerda, a pauta de costumes é um território de convergência. Em resumo: as respostas sobre economia e Estado dependem do modelo de IA utilizado, mas, quando o assunto são os costumes, as IAs testadas falam a mesma língua.  

O modelo isentão

O Gemini 3.6 Flash, do Google, ficou fora do ranking por um comportamento próprio: no modo padrão, ele concentra 99,6% das respostas padrão na nota neutra e se recusa a responder 11,3% das chamadas. Já sob persona, é totalmente posicionado, cobrindo toda a régua íntegra da extrema-esquerda à extrema-direita. O modelo sabe usar a escala, mas opta por não “se expor” se não recebe uma identidade específica. Essa estratégia de neutralidade aparece explicitamente no seu “raciocínio” interno.

"Em questões eleitorais, o usuário precisa saber de onde vem a posição que a IA entrega", explica Rodrigo Cavalcanti, fundador do IDJÉ. "O Espectro separa essas três origens possíveis: treinamento, instrução e política de neutralidade. Esconder essa composição transforma a inclinação política em uma voz neutra."

Território eleitoral

Para situar o resultado na vida pública, as posições das IAs foram cruzadas com a matriz ideológica do Datafolha. O trecho do espectro ocupado pelos modelos coincide com a região onde se concentram 76% do eleitorado de Lula e 35% do de Flávio Bolsonaro. A leitura é territorial, e não de identidade: nenhum modelo recebe a etiqueta de um candidato, e nenhum alcança o pólo mais à direita, onde estão ¼ dos eleitores de Flávio Bolsonaro.

Por que isso importa

Nenhuma norma brasileira obriga fornecedores de tecnologia a auditar o posicionamento político em modelos de IA em operação, e o PL 2338/2023, aprovado no Senado em dezembro de 2024, aguarda aprovação na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, os assistentes respondem sobre a disputa sem que qualquer medição independente desse comportamento em português brasileiro. Para preencher essa lacuna, o IDJÉ passa a oferecer com o Espectro uma verificação aberta e contínua a cada novo modelo lançado.

Serviço

Espectro: Eleições 2026

O que é: avaliação da inclinação política declarada de modelos de linguagem. Contém gráfico de posição declarada, território eleitoral, alvo econômico × social, tabelas por modelo, metodologia e critérios de pontuação.

Painel contínuo: idje.com.br/espectro-eleicoes26  

Sobre o IDJÉ

Laboratório brasileiro de pesquisa independente em inteligência artificial, o IDJÉ produz avaliação pública e contínua de modelos de IA em uso no país, com foco em comportamento social, transparência e defesa dos direitos das pessoas afetadas por esses sistemas. O Espectro é o novo instrumento do IDJÉ Avalia, ao lado do Estigmas.

Contato: Rodrigo Cavalcanti - rodrigo@idje.com.br - 71 99655 3558